Você já parou para ler a tabela nutricional dos alimentos que consome? Entender o que está escrito nos rótulos pode ser a chave para uma alimentação mais saudável e consciente. Afinal, não basta apenas contar calorias — é preciso saber a qualidade do que se está ingerindo.
Neste conteúdo, vamos te ensinar de forma prática e clara como ler a tabela nutricional, identificar os principais nutrientes, evitar armadilhas comuns do marketing alimentar e utilizar ferramentas como a TBCA para fazer escolhas mais inteligentes.
Sumário
- Por que entender a tabela nutricional é importante?
- Estrutura da tabela nutricional: o que ela mostra?
- O que é a porção indicada?
- O que significa %VD (Valor Diário)?
- Macronutrientes na tabela nutricional
- Vitaminas e minerais: como identificar
- Lista de ingredientes: o que observar?
- Pegadinhas dos rótulos: como não ser enganado
- Rotulagem nutricional frontal e mudanças da ANVISA
- Como usar a tabela nutricional para fazer boas escolhas
- Conhecendo a Tabela Brasileira de Composição de Alimentos (TBCA)
- Dúvidas Frequentes (FAQ)
Por que entender a tabela nutricional é importante?
Ler a tabela nutricional é essencial para:
- Controlar o consumo de calorias, gorduras, açúcares e sódio;
- Comparar produtos semelhantes e escolher o mais saudável;
- Evitar ingredientes prejudiciais como gordura trans e aditivos;
- Entender se o alimento realmente entrega o que promete no rótulo.
Grande parte dos consumidores ainda não compreende os rótulos de forma adequada, o que favorece o consumo excessivo de produtos ultraprocessados.
Estrutura da tabela nutricional: o que ela mostra?
A tabela nutricional obrigatoriamente exibe os seguintes dados por porção:
- Valor energético (calorias)
- Carboidratos
- Proteínas
- Gorduras totais, saturadas e trans
- Fibra alimentar
- Sódio
Além disso, pode incluir vitaminas e minerais, como cálcio, ferro e vitamina C.
O que é a porção indicada?
É a quantidade de alimento que serve como referência para os valores nutricionais apresentados. Nem sempre essa porção corresponde ao que a pessoa realmente consome.
Exemplo: um pacote de biscoito pode ter 3 porções, mas muita gente consome o pacote inteiro — ou seja, os valores da tabela devem ser multiplicados por 3.
O que significa %VD (Valor Diário)?
A coluna de %VD indica quanto aquele alimento fornece de um nutriente em relação à ingestão diária recomendada.
Exemplo: se uma porção contém 400 mg de sódio com %VD de 20%, significa que essa quantidade representa 20% da recomendação máxima diária de sódio (2.000 mg).
Esses valores são baseados em uma dieta de 2.000 kcal — mas nem todo mundo consome essa quantidade. Por isso, os valores devem ser adaptados ao perfil de cada pessoa.
Macronutrientes na tabela nutricional
1. Calorias (valor energético)
Indicam a energia fornecida pelo alimento. Porém, calorias não dizem tudo — qualidade é tão importante quanto quantidade.
2. Carboidratos
Incluem açúcares naturais e adicionados. Verifique se há presença de “açúcares adicionados” ou dextrose, maltodextrina, xarope de glicose.
3. Proteínas
Fundamentais para a construção muscular e manutenção dos tecidos. Alimentos ricos em proteína geralmente têm alto poder de saciedade.
4. Gorduras totais, saturadas e trans
- Gorduras totais: soma de todas as gorduras do alimento.
- Gorduras saturadas: devem ser consumidas com moderação.
- Gorduras trans: idealmente devem ser evitadas, pois estão associadas a doenças cardiovasculares.
5. Fibras alimentares
Importantes para o trânsito intestinal e controle glicêmico. Alimentos com mais de 2,5g de fibras por porção são considerados boas fontes.
6. Sódio
Presente em conservantes, temperos prontos e alimentos industrializados. O excesso de sódio está ligado à hipertensão. Dê preferência a alimentos com menos de 140mg por porção.
Vitaminas e minerais: como identificar
Alguns rótulos incluem micronutrientes como ferro, cálcio, zinco, vitamina C, A ou D. Verifique a %VD e se o alimento é uma boa fonte — o ideal é que forneça pelo menos 15% do valor diário recomendado.
Lista de ingredientes: o que observar?
A lista de ingredientes deve ser lida com atenção. Ela é ordenada por quantidade: o primeiro ingrediente é o mais presente no produto.
Prefira alimentos com poucos ingredientes, nomes conhecidos e sem aditivos artificiais. Evite produtos com:
- Açúcar como primeiro ou segundo ingrediente
- Óleo vegetal hidrogenado
- Realçadores de sabor como glutamato monossódico
- Corantes e aromatizantes artificiais
Pegadinhas dos rótulos: como não ser enganado
- “Zero açúcar”: pode conter adoçantes ou outros tipos de carboidrato.
- “Light”: apenas significa redução de algum nutriente em relação ao original (pode ser sódio, gordura ou açúcar).
- “Integral”: nem sempre é 100% integral. Veja se a farinha de trigo integral está em primeiro lugar na lista.
- “Fonte de fibras”: o alimento pode ter fibras, mas também ter alto teor de açúcar ou gordura.
Rotulagem nutricional frontal e mudanças da ANVISA
Desde 2022, alimentos industrializados no Brasil passaram a ter um novo sistema de rotulagem nutricional frontal — uma lupa com alertas para excesso de:
- Gorduras saturadas
- Açúcares adicionados
- Sódio
Esses símbolos ajudam o consumidor a identificar produtos com alto teor desses ingredientes, incentivando escolhas mais conscientes.
Como usar a tabela nutricional para fazer boas escolhas
- Compare marcas semelhantes para ver qual tem menos sódio, açúcar e gordura;
- Priorize alimentos com mais fibras e proteínas;
- Evite produtos com muitos ingredientes artificiais ou desconhecidos;
- Leia a porção com atenção e considere quanto realmente será consumido;
- Use a %VD como um guia, não uma regra fixa.
Conhecendo a Tabela Brasileira de Composição de Alimentos (TBCA)
A TBCA é uma base de dados desenvolvida pela Universidade de São Paulo (USP) que fornece informações nutricionais detalhadas de alimentos in natura e processados.
Ela é uma excelente ferramenta para quem deseja comparar alimentos, montar cardápios e entender a composição dos alimentos além dos rótulos.
Dúvidas Frequentes (FAQ)
1. A tabela nutricional é obrigatória por lei?
Sim. No Brasil, todos os alimentos embalados devem apresentar a tabela nutricional e a lista de ingredientes de forma clara, conforme exigido pela ANVISA.
2. Posso confiar nos valores da tabela?
De modo geral, sim. Porém, podem haver variações. O ideal é usar como referência e complementar com dados da TBCA quando necessário.
3. Como saber se o alimento é realmente saudável?
Observe a qualidade dos ingredientes, a presença de fibras, a quantidade de açúcares e sódio e o número de aditivos. Quanto mais próximo do natural, melhor.
4. Produtos diet e light são sempre melhores?
Não necessariamente. Produtos diet podem conter mais gordura, por exemplo. É preciso avaliar a tabela nutricional e não apenas o rótulo de marketing.
5. Crianças devem consumir alimentos com rótulo?
O ideal é que crianças consumam alimentos in natura ou minimamente processados. Quando consumir industrializados, a leitura dos rótulos é ainda mais importante.
Caso queira assistir esse conteúdo completo no YouTube – Como Ler os Rótulos dos Alimentos